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13/11/2017
Destilados nordestinos avançam para novos mercados fora do país

Produtores de cachaça e outros destilados propectam importadores e estabelecem novas parcerias internacionais através do EINNE, que já movimentou R$ 10,2 milhões

As empresas do segmento de alimentos e bebidas geraram mais de R$ 9,2 milhões em negócios, durante o Encontro Internacional de Negócios do Nordeste (EINNE), que encerra nesta sexta-feira (10), em Natal. Parte desse volume vem da comercialização de bebidas destiladas, sobretudo as cachaças de alambique, que encontraram no evento a estratégia para entrar em novos mercados e chegar ao cenário internacional. Dez empresas participam do evento e realizaram contato e futuras parcerias com importadores de países, como Alemanha, Bélgica Canadá, Colômbia, Equador, Rússia e Tanzânia.

Uma dessas empresas é a Tiquira Brasil, uma pequena indústria do Maranhão que produz tiquira, um destilado obtido da mandioca. De acordo com o sócio proprietário da empresa, Robert Stinglwagner, a bebida típica dos povos indígenas deverá ganhar o mundo. Isso porque, no encontro, ele abriu canais de negociação com grupos importadores do Canadá Colômbia, Equador, Rússia e Tanzânia. “Todos provaram a tiquira, avaliaram bem o sabor da bebida, que tem um gosto muito peculiar e demonstraram interesse em importar o nosso produto, que ainda é desconhecido da maioria dos brasileiros. E se trata de um destilado 100% nacional, já que feito de uma planta nativa do Brasil”.

A tiquira é bem apreciada no Maranhão, no entanto, a industrialização para venda em escala comercial só ocorreu há quatro com a ideia do empresário carioca e sua mãe de abrir uma fábrica da bebida na cidade de Santo Amaro do Maranhão, que fica a 200 quilômetros da capital São Luís. Atualmente, a indústria produz por ano, no modelo fair trade (comércio justo), 24 mil litros de tiquira tradicional e mais 2 mil litros da mesma bebida armazenada em barris de emburana.

“O EINNE está totalmente de acordo com as nossas estratégias de divulgação da bebida e prospecção de clientes”. Apesar de estar preparada, a Tiquira Brasil ainda não exporta e pretende se lançar no mercado internacional. A aposta é tão alta que a empresa já está reestruturando a linha de produção para dobrar a capacidade de processamento do destilado. “Vamos dobrar a produção para termos um preço mais competitivo”, projeta Robert Stinglwagner.

Chegar a mais mercados é também o objetivo da Cachaçaria Limoeiro, que estabeleceu contatos com compradores internacionais ainda na primeira edição do EINNE e aperfeiçou a cachaça para atender aos padrões internacionais. A empresa criou a Jaualle, uma linha de produtos com a bebida que é a cara do Brasil para atender à legislação de alguns países e com embalagem diferenciada. “O encontro serviu para consolidar os contatos que fizemos na edição anterior”, diz o empresário Raimundo Primo, proprietário da cachaçaria que fica instalada no município de Feira da Mata, no Oeste da Bahia.

A empresa já havia enviado o produto para Alemanha e Bélgica – 800 garrafas e 200 litros a granel – mas o empresário quer ampliar essa rede de distribuidores internacionais. “Abrimos canais de comercialização com importadores da Rússia e do Canadá. O desafio para nós, produtores de cachaça artesanal, é fazê-la chegar a grandes vitrines no mercado externo”, argumenta Raimundo Primo.

Avaliação

Até o momento, o EINNE chegou a movimentar mais de R$ 10,2 milhões em função de 1,2 mil reuniões de negócios em dois dias. A estimativa é atingir o volume de R$ 25 milhões até os próximos meses, quando as parcerias são concretizadas. Estruturado em salões, onde ocorrem as rodadas de negócios, o encontro conta com 150 empresas de todos os estados do Nordeste dos segmentos de alimentos e bebidas, cosméticos, moda e energias. Essas empresas estão ofertando produtos e serviços para grandes grupos compradores nacionais e internacionais.

Promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte e Federação das Indústrias do Estado (Fiern), com patrocínio do Banco do Nordeste e apoio de parceiros, pela segunda consecutiva, o evento está sendo realizado em Natal e reúne em torno de 30% das pequenas empresas nordestinas exportadoras. “Há uma avaliação muito positiva dos empresários que participam do evento justamente pela qualidade dos contatos. A decisão de reduzir para quatro segmento foi muito assertiva. Isso proporcionou uma aproximação muito mais efetiva, aumentando as chances de fechamento de novos negócios”, avalia o diretor de operações do Sebrae-RN, Eduardo Viana.

Para o executivo, a realização pela segunda vez do EINNE em Natal deixa o Rio Grande do Norte numa posição muito privilegiada no Nordeste por virar uma referência, juntamente com estados maiores e com maior expressão exportadora, na área de comércio exterior. A parceira com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) foi decisiva para o sucesso do evento. “Essa aproximação da Apex com o Sebrae só beneficia as micro e pequenas empresa”, garante Eduardo Viana.


Fonte: Sebrae-RN
 


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