Evento acontecerá de 30 de abril a 2 de maio e reúne especialistas brasileiros e internacionais no Nordeste para discutir avanços em imunoterapia, transplante hepático e novas estratégias no cuidado aos tumores gastrointestinais, com destaque para estudo que elevou a resposta completa no câncer gástrico de 7% para 19% e reduziu em 29% o risco de recorrência ou morte
Recife passa a sediar, a partir desta quinta-feira, 30 de abril, o V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo ONCOGI 2026, promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), reúne especialistas pela primeira vez no Nordeste para discutir estudos recentes que vêm modificando o tratamento dos tumores gastrointestinais, com impacto direto nas chances de cura e na sobrevida dos pacientes. Entre os destaques está uma pesquisa que mostra aumento da resposta completa no câncer gástrico de 7% para 19% e redução de 29% no risco de recorrência da doença ou morte. O congresso ocorre pela primeira vez no Nordeste, reunindo especialistas brasileiros e internacionais para discutir estudos recentes que vêm modificando a forma de tratar tumores do aparelho digestivo, com impacto direto nas chances de cura e na sobrevida dos pacientes. Entre os destaques está o estudo Matterhorn, considerado um dos mais relevantes da atualidade no tratamento do câncer gástrico e da junção esofagogástrica. Pela primeira vez, a combinação de imunoterapia com quimioterapia antes e depois da cirurgia mostrou resultados capazes de redefinir o padrão de cuidado
Os dados indicam que a taxa de desaparecimento completo do tumor antes da cirurgia aumentou de 7% para 19%. Também foi observada redução de 29% no risco de recorrência da doença ou de morte. O resultado aponta para um avanço relevante em um cenário historicamente associado à maior complexidade terapêutica. O estudo será debatido no dia 1 de maio às 14h, dentro da programação dedicada ao câncer gástrico, em sessão que reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir a aplicação prática desses resultados no tratamento dos pacientes
Transplante hepático amplia sobrevida em câncer colorretal avançado
Outro tema central do congresso é o estudo Transmet, que avaliou o papel do transplante de fígado em pacientes com câncer colorretal com metástases restritas ao fígado e sem possibilidade de ressecção cirúrgica. Os resultados mostram diferença expressiva entre as estratégias avaliadas. A sobrevida global em cinco anos foi de 9% no grupo tratado apenas com quimioterapia. No grupo submetido ao transplante hepático associado à quimioterapia, a sobrevida chegou a 73%. O dado indica mudança relevante na abordagem desses casos. O transplante passa a ser considerado uma alternativa com intenção curativa para pacientes criteriosamente selecionados
De acordo com o cirurgião oncológico Paulo Henrique Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, evidências como essa reforçam o papel da cirurgia no tratamento do câncer e ampliam as possibilidades terapêuticas. Ele destaca que cenários antes considerados exclusivamente paliativos passam a ser revistos à luz de novos dados científicos, o que exige discussão qualificada e critérios rigorosos na seleção dos pacientes. O tema será discutido em sessão de casos clínicos no dia 2 de maio às 8h40, com apresentação do especialista internacional Rajeevan Philip Sridhar, da Índia
Imunoterapia passa a integrar tratamento curativo no câncer de cólon
O congresso também traz ao debate o estudo Atomic, publicado em março de 2026 no The New England Journal of Medicine, que avaliou a adição de imunoterapia ao tratamento padrão após cirurgia em pacientes com câncer de cólon estágio III. Os resultados mostraram redução de 50% no risco de recorrência da doença ou de morte. A sobrevida livre de doença em três anos foi de 86,4% entre os pacientes que receberam imunoterapia e de 76,6% entre aqueles tratados apenas com quimioterapia
O achado reforça uma mudança importante na prática clínica. A imunoterapia passa a ser considerada também em cenários com intenção curativa, especialmente em tumores com características genéticas específicas, o que amplia a importância da realização de testes moleculares no momento do diagnóstico. A discussão do tema integra as sessões científicas dedicadas ao câncer colorretal ao longo da programação do congresso
Novo padrão de tratamento no câncer de esôfago
Outro estudo em destaque é o Esopec, que comparou estratégias no tratamento do adenocarcinoma de esôfago e da junção esofagogástrica. Os dados mais recentes indicam superioridade da quimioterapia perioperatória com o esquema FLOT em relação à quimiorradioterapia pré-operatória. A sobrevida global média foi de 66 meses no grupo tratado com Flot de 37 meses no grupo submetido à outra estratégia. O resultado reforça a importância do controle sistêmico da doença e consolida uma mudança no padrão de tratamento, com impacto direto na prática clínica e no prognóstico dos pacientes
Temas gerais do congresso
O congresso terá ainda o bloco Desafios das Políticas Públicas na Oncologia Digestiva estratégias para redução do tempo de diagnóstico e ampliação do acesso ao tratamento que acontecerá no dia 2 de maio às 11h. A sessão contará com a moderação de Iran Costa, além da participação de Paulo Henrique de Sousa Fernandes, Guacyra Magalhães Pires Bezerra e Arimatheus Silva Reis. O encontro trará análise sobre a organização da rede pública e discutir possibilidades para combater desigualdades regionais de acesso ao tratamento e propostas para tornar o sistema mais ágil, eficiente e acessível no cuidado aos pacientes com cânceres do trato digestivo
A programação contempla os principais eixos da oncologia digestiva. Entre os temas estão tumores esofágicos e esofagogástricos, tumores gástricos, tumores hepáticos e metástases, câncer de pâncreas e tumores neuroendócrinos. Também fazem parte da agenda sarcomas e GIST, diretrizes e protocolos clínicos, tecnologias e inovação no combate ao câncer gastrointestinal, além de tumores colorretais e tumores do reto
Convidados internacionais ampliam intercâmbio científico
A programação internacional reúne especialistas de diferentes centros de referência, ampliando o intercâmbio de conhecimento e trazendo ao debate experiências aplicadas em diferentes sistemas de saúde. A cirurgiã Carolyn Nessim integra o The Ottawa Hospital e a University of Ottawa, no Canadá, e participa de sessões sobre HIPEC e imunoterapia no câncer gástrico. O cirurgião Franco Roviello, da University of Siena, na Itália, apresenta avanços em cirurgia robótica e técnicas minimamente invasivas. O chileno Enrique Lanzarini, da Universidad de Chile e do Hospital Regional de Talca, aborda o uso da fluorescência em cirurgia. Rajeevan Philip Sridhar, do Christian Medical College, em Vellore, na Índia, conduz discussões sobre cirurgia colorretal. Subbiah Shanmugam, da Indian Association of Surgical Oncology, contribui com debates sobre casos complexos em cirurgia digestiva. O francês Henri Bismuth participa com aula magna sobre cirurgia hepatobiliar e transplante hepático
Na avaliação do cirurgião oncológico Mário Rino, presidente da Comissão Organizadora do congresso, o evento foi estruturado para refletir esse momento de transformação da oncologia digestiva e sua aplicação prática. Ele afirma que a área segue em constante evolução, incorporando medicina de precisão, terapias integradas, inteligência artificial e robótica, e destaca a necessidade de discutir como essas inovações serão aplicadas na prática clínica e no cuidado real dos pacientes
Serviço
Evento: V Congresso Brasileiro de Câncer Digestivo (ONCOGI 2026)
Realização: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica
Data: 30 de abril a 2 de maio de 2026
Local: Centro de Eventos do Shopping RioMar - Recife/PE
www.oncogi2026.com.br |
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